Financiar o carro é fácil! Pagar, nem tanto!

Renato comenta: “Navarro, você já conhece os novos parcelamentos da Ford em até 84 meses? São sete anos para pagar o carro. Isso permite que a compra seja realizada sem entrada e as parcelas caibam (fácil) no bolso do comprador. Qual a sua opinião sobre isso? A facilidade pode permitir que pessoas como eu comprem seu primeiro carro zero. Devo entrar nessa”?

Oi Renato, fiquei sabendo dessa nova alternativa para o carro zero e fiquei atônito, boquiaberto e profundamente decepcionado. Estou sendo dramático, eu sei. Meu drama só não é maior que o das pessoas que entrarem nessa barca furada. Renato, comprar um carro zero e ter que pagá-lo durante os próximos sete anos é um péssimo negócio, sob qualquer aspecto e ponto de vista.

Um exemplo
Vamos imaginar que você esteja interessado no Ford Ka 1.0. Seu preço de tabela é R$ 21.990,00, mas você só pode dar R$ 1000,00 de entrada. Então você visita a concessionária e faz uma simulação junto ao vendedor, que lhe oferece o pagamento em 84 parcelas a um juro de 1,68% ao mês. Animado, você continua com a conversa e pede que ele calcule o valor das prestações. Ainda mais animado, o vendedor informa que cada pagamento mensal será de R$ 468,71. Baratinho né?

O carro acabará custando R$ 40.371,64 ao final dos sete anos. Estou falando de sete anos. Isso é loucura. Qual foi a última vez que você esperou sete anos para trocar de carro? Se você ainda não tem um carro, confie em mim: vai querer trocá-lo antes que este prazo termine. E não, você não fará um bom negócio se trocá-lo no meio do caminho, passando o financiamento adiante ou pegando outro carnê. Procurar justificar um mal negócio é o mesmo que dar uma desculpa chinfrim para a necessidade de realizá-lo. Pense bem.

Opinião de especialista
Fabiano Calil, consultor de finanças pessoais, falou em recente entrevista ao jornal Folha de S. Paulo sobre estes novos milagres da indústria automobilística:

Os juros sempre estão contra você. Se já está comprometido com um financiamento, o melhor é tentar quitar o quanto antes as parcelas. Entrar em outro apenas manterá seu orçamento amarrado por mais tempo.

Ele ainda alerta os consumidores para o perigo da compra de final de semana, levada totalmente pela alegria diante da possibilidade de um “excelente negócio”:

Nesses momentos, age-se de forma totalmente emocional. Nos primeiros meses do financiamento tudo é bom, mas os problemas começam quando chegam os boletos. As financiadoras oferecem as opções, mas quem decide a compra é o consumidor. É preciso ter responsabilidade antes de colher o crédito.

O fenômeno tem explicação
O crédito está ficando cada vez mais fácil, mas isso não está acontecendo só porque você é um cara legal ou porque o vendedor foi, ou vai, com a sua cara. Montadoras vivem de vender carros. O mercado está aquecido, a economia está mais estável, os juros básicos caíram (Selic) e a renda aumentou. O povo quer comprar carro. Mas o povo não tem dinheiro para comprá-lo. Logo, as montadoras abriram seus bancos. Ah, bancos vivem de juros.

A fórmula é simples, acompanhe. Você compra o carro, ajuda a escoar a produção da montadora, faz opção pelo financiamento, paga juros e usufrui do carro. Todos saem felizes. Será? A montadora produziu e entregou o carro. A mesma montadora vendeu o carro. Vendeu caro. A concessionária recebe à vista da financiadora do banco. Você leva o carnê pra casa e vai lembrar dele pelos próximos 60, 72, 84 meses. Todos saem felizes? Mesmo?

E depois?
Você sai da concessionária desfilando sua caranga pela cidade. Ai chega o documento e a responsabilidade de pagar o IPVA. E vem o seguro, a primeira revisão, o combustível (duh!), a troca de óleo, o pneu novo, o escapamento que furou, a pedra no vidro, o motor do vidro elétrico que parou de funcionar, a limpeza do ar condicionado. Chega, cansei. E você já está cansado de saber que carro não é investimento, certo? Pagar em sete anos? Ainda estou inconformado.

Louis Frankenberg, fundador do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros alerta:

Normalmente, para planos com parcelas de R$ 500,00, a prestação é apenas a metade do custo do carro. Além do financiamento, há impostos, seguro, gasolina, manutenção. Tudo somado, o custo do carro fica entre R$ 800,00 e R$ 1000,00 mensais. É esse o número que o consumidor precisa ver se cabe no orçamento.

Renato, desculpe decepcioná-lo. Comprar o carro é a parte fácil. Financiar é fácil. Dirigir é fácil. Pagar é difícil. Manter é difícil. Experimente fazer uma simulação com os valores das parcelas usadas no exemplo, imaginando-as sendo depositados na caderneta de poupança. Se esperar quatro anos desta forma, terá o valor à vista para a compra do carro e um trocado para o IPVA e seguro obrigatório.

Eu sou meio lerdo, admito. Continuo sem entender uma coisa: se sete anos pagando o carro não é muito tempo (essa é a desculpa usada por quem opta por este modelo), por que esperar quatro anos para comprá-lo à vista é visto como algo tão difícil? Emoção demais = emoção demais. Emoção demais na hora de comprar vai trazer emoção demais na hora de pagar. Emoção não combina com dinheiro. Ponto.

 Fonte: Dinheirama.com  |  Autor: Conrado Navarro
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7 respostas a Financiar o carro é fácil! Pagar, nem tanto!

  1. De qualquer sorte, pagando ou não, são problemas típicos de uma economia em movimento positivo. Talvez há uns dez anos atrás, sequer existiam recursos disponíveis na economia brasileira para financeiar aquisições desta natureza.
    Kid
    http://criticcidade.wordpress.com/

    • Conan diz:

      Positivo KKKKKK. Em um país que possui os carros (carroças) mais caros do mundo? QUE ALIENADO…

      • Bruno diz:

        Mas, Conan, as carroças mais caras do mundo são assim (resumindo bem resumido) porque as empresas impõem esses preços e as pessoas aceitam. A margem de lucro das montadoras aqui chega a ser três vezes maior do que nos outros países. Sugiro que se informe um pouco mais sobre o mercado, porque ficar sempre no senso comum pode lhe colocar numa fria. Por exemplo, achar que os outros são alienados…

  2. Geraldo Esteves Paiva diz:

    “O povo quer comprar carro. Mas o povo não tem dinheiro para comprá-lo. Logo, as montadoras abriram seus bancos. Ah, bancos vivem de juros.” Tô de acordo vivem de juros altos.
    “recursos disponíveis na economia brasileira” Disponiveis através da ladroagem dos banqueiros sustentados pelo governo que mantem os salários achatados dos trabalhadores, que disponibilizam, as custas de sua miséria, esses recursos que vão alimentar as multinacionais, do sistema capitalista em crise. Eu quero é um carro durável, como o corolla mas não vou disponibilizar vinti mil pra ele. Fico com o Fusca de cinco mil ou qualquer outro dessa faixa compativél com meu parco orçamento.

  3. odete jurtado de lima Calheiros diz:

    Eu quero comprar um gol miha preferencia e um carro usado mas em bom estado eu quero corro não ploblemas carro que esteja em bom estádo quro gol que não seja muito caro vou comprar e pagar nada de finacimento estado juiz de Fora. muito obrigado.

  4. EU GOSTARIA DE COMPRAR UM GOL MAS E A VISTA MAS UM CARRO USADO MAS EM BOA CONDIÇÃO. ATÉ O QUE POSSO PAGAR BOA TARDE OBRIGADO. ODETE

  5. Gerce diz:

    Olá, acabo de conhecer o site, gostei muito das dicas parabéns!
    Faço uma sugestão para um post: o carro usado ideal para compra ele precisa estar em que estado no geral. Grata Deus os abençoe.

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